• Nara Guichon

Meu primeiro Ecoprint




Quando em fevereiro de 2013 me deparei com aquela bem modelada e tão especialmente estampada camiseta em tons pastel, tons sobre tons, não pude deixá-la pendurada naquele charmoso local, onde certamente em instantes outros sensíveis olhos a levaria. Era linda, me servia e eu a comprei.


A técnica eu não sabia, mas agora poderia levá-la, no corpo, na alma, na mente. Mal sabia eu que naquele mesmo ano dois outros acontecimentos me conduziriam por novos caminhos do têxtil sustentável.


Aprendizado em conta-gotas


Chegou agosto e eis que como em um passe de mágica me vejo na frente a uma coleção de tecidos, pequenos objetos, amostras de panos, agora em uma gama de tons bem mais ampliada do que a da preciosa camiseta (que tenho até hoje). Sépias, cinzas, marrons, laranjas, tons perolados ou suavemente esverdeados. Em comum sempre a forma de plantas.

Curiosa e encantada, tentei saber se poderia aprender a estampar assim tão encantadoramente. Não era possível. Do stand trouxe comigo cinco especiais estampas, as quais, devo confessar, foi bem difícil escolher mesmo sendo uma pessoa objetiva.



No caminho


Já na ala de demonstração das técnicas artísticas do Festival de Quilt e Patchwork, em Birmingham, Inglaterra, para meu deleite, fico sabendo que no dia seguinte haveria uma demonstração de tão bela estamparia. Pontualmente chego no stand, aonde uma simpática professora alemã, falava um inglês assim como o meu, sem fluência. Meu prévio conhecimento em tingimento natural veio a ser a tábua de salvação. Captei e entendi parcialmente o que ela demonstrava ao estampar uma echarpe.


Munida de um conhecimento fragmentado e embebida de muita vontade, ao retornar a meu ateliê em Florianópolis vieram as primeiras estampas, mas nada que se comparasse a um trabalho de mestre.


Como sei que a prática, e somente esta, pode nos conduzir aos almejados resultados, foram alguns metros de tecidos estampados não exatamente em vão, mas longe de poderem ser exibidos, ainda mais por quem preza por qualidade.


Mensageira


A Ana Maria Viviani chegou ao atelier desinteressadamente, querendo conhecer-me. Ela estava morando próximo de meu local por um tempo indeterminado. Sem combinarmos, tratarmos ou estipularmos qualquer convenção, eis que começamos a exercitar a técnica que ela tinha bastante conhecimento e só queria poder fazer seus Ecoprints com “plantitas locales”.


Ela, sem ter espaço adequado na sua casa temporária, encontrou aqui o local ideal para suas práticas enquanto não retornava para a Argentina, seu país de origem. Minha memória é de agradáveis encontros, “regados” a boas comidinhas e bons resultados. Cada vez melhores resultados.


Fui aprendendo na prática sobre quais tecidos usar, como funcionam os fixadores e fomos, ao longo de alguns meses, catalogando as plantas que davam resultados. Todas aqui do entorno, mas nem todas originárias da Mata Atlântica, que ainda encontramos na região.


Resultados, enriquecimentos


Nossa vida, como frequentemente cito, é uma colcha de retalhos. Adoro observar (e resgatar) um “tecidinho” que foi costurado anos atrás. Ele me faz lembrar de um local ou de uma pessoa (ou pessoas), evento, viagem, sentimentos e que ao unir-se a esta colcha, conta nossa história. Todas as vivências, todos os retalhinhos têm a mesma importância, pois sem ele a colcha estaria incompleta. E é muito bom rememorá-la e poder também ser grata aos caminhos e pessoas que fazem parte de nossa história.


Agora, após esses seis anos de prática e de muitos cursos ministrados presencialmente, tanto aqui no ateliê ou em outras cidades e instituições, apresento-lhes este curso bastante completo. Fruto da extensiva pesquisa e prática que resultaram em mais “trechos” da história de minha vida sem prévias programações.


Você que acessa este meio de aprendizado, também passa a ser parte desta história.


Grata.

 

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