• Nara Guichon

O problema ambiental do plástico e como reduzir o seu consumo



Diante de tantas notícias alarmantes sobre o clima e a relação da humanidade com o meio ambiente, fica mais evidente o poder transformador das pequenas ações.


Muito se tem falado sobre a redução do consumo de plástico, mas o que estamos fazendo de concreto sobre isso? Apenas recusar o uso da famosa sacolinha no mercado já é o suficiente?


A verdade é que o problema do plástico no planeta é muito maior do que pensamos. Já não se trata mais de um dano localizado, mas de uma devastação que chega aos quatro cantos do globo.


Um estudo realizado pela Universidade de Georgia revelou um número assombroso: 8,3 mil milhões de toneladas métricas de plástico estão dispersas pelo planeta. Deste número, só 9% foi reciclado. A grande maioria do plástico do mundo está solta por aí, em aterros, rios, mares.


Até mesmo os cientistas que realizaram esta, que é considerada a primeira contagem mundial da quantidade de plástico produzido, ficaram horrorizados pela dimensão dos números.


O consumo de plástico é representado por números assustadores. A cada minuto, mais de um milhão de bebidas são vendidas em garrafas plásticas em todo o planeta. Somente nos Estados Unidos, 50 bilhões de garrafas plásticas são consumidas todos os anos.


Mais da metade de todo o plástico existente no mundo foi produzida dos anos 2000 para cá. Ou seja, desde os anos 50, quando o plástico começou a ser difundido massivamente, nunca se viu um aumento de consumo tão assustador.



Redes de pesca reutilizadas. Nara Guichon.
Redes de pesca. Material plástico de alta resistência que polui os mares. Foto: Nara Guichon.


Um mar de plástico


Temos uma falsa ideia criada pela mídia de que plástico é apenas a garrafa pet ou a sacolinha. Há muito plástico em quase tudo ao nosso redor: tecido (poliamida, poliéster), utensílios domésticos (acrílico), em estofados, forros e (poliuretano) e tantos outros. Essa presença massiva é um dos sintomas mais graves do adoecimento dos ecossistemas, principalmente no mar.


A relação do plástico com o mar não é casual. Para muitos países, os cursos d’água são o principal meio de desova dos detritos urbanos. Essa prática criminosa cria um efeito dominó: os rios que recebem o lixo das cidades desaguam no mar, o mar, por sua vez, leva esse lixo para outros lugares através das corrente marítimas e em algum momento esse onda de lixo volta para sociedade – seja através das marés de plástico, como aconteceu há pouco tempo em algumas cidade do Nordeste, ou através do microplástico, presente nos peixes e em outros alimentos que consumimos.


Estima-se que até 2050, o oceano poderá conter mais peso em plásticos do que peixes.

8 milhões de toneladas métricas de plástico vão parar ao oceano todos os anos, o que equivale a uma ilha de detritos que não se decompõe. Além do dano irreparável à vida marinha, estamos vendo surgir um fenômeno inédito e assustador: a disseminação desenfreada do microplástico.





Essa categoria de plásticos é composta por químicos altamente tóxicos como polipropileno e polietileno, o que corresponde a cerca de 90% da demanda de plástico no mundo.


Consideradas baratas, flexíveis e incrivelmente duráveis essas substâncias demoram séculos para se decompor. Quando sofrem o atrito das ondas do mar, os diferentes tipos de plástico são fragmentados em parcelas do tamanho de um grão de areia, ou ainda menor.


Esse “pó” de plástico passa para os peixes e frutos do mar que são ingeridos por humanos, iniciando um ciclo perigoso de contaminação que se alastra por todas as cadeias biológicas.


Em países como Índia e Indonésia, já existem as chamadas “marés de plástico”, refluxos que entulham a costa com milhões de metros cúbicos de lixo plástico. Pesquisas apontaram que quem consome mexilhões e outros frutos do mar dessas regiões altamente poluídas já ingere mais de 10 milhões de micro pedaços de plástico por ano.


Os efeitos na vida humana ainda são desconhecidos, mas estima-se que a ingestão de plástico microscópico esteja diretamente ligada ao aparecimento massivo de câncer, doenças hormonais e esterilidade.


Atitudes simples e poderosas


Criar suas próprias sacolinhas reusando roupas que já não são mais úteis pode ser um bom começo para iniciar uma vida com menos plástico.



Tenha por hábito deixar suas ecobags no porta-luvas do carro ou dentro de sua bolsa. Assim, quando for fazer compras, mesmo que de modo inesperado, sua sacola retornável sempre estará a mão.


Outra opção ao fazer compras volumosas nos supermercados é solicitar caixas de papelão para carregar as compras.


Outra forma de reduzir o consumo e plástico é exercitar o hábito de substituir o consumo de refrigerantes ou sucos industrializados por sucos feitos em casa. Consumir alimentos e bebidas frescas beneficia o agricultor que permanece no campo e também o meio ambiente.


A comida de verdade tem menos descarte de embalagens e menos gastos em transportes, manipulação dos alimentos , menos corantes, aromatizantes, conservantes e tantos outros resíduos químicos que terminam por contaminar o meio ambiente e também o seu organismo.




Um caminho possível


Viver 100% sem plástico é algo quase impossível para a maioria das pessoas. Mas ainda assim podemos colaborar ativamente para a redução de seu consumo. Um bom exemplo é a Dinamarca, onde cada habitante consome em média apenas 4 sacos plásticos por ano. Nos Estados Unidos a conta é de um saco por habitante por dia.


Em 1993, a Dinamarca foi o primeiro país do mundo a introduzir um imposto sobre sacolas plásticas. Hoje a população simplesmente não aceita o consumo excessivo de plástico. Nos mercados e lojas é comum comprar produtos a granel. Cada comprador leva sua sacola ou recipiente e adquire apenas o que precisar – sem embalagens desnecessárias.


Aqui no Brasil as iniciativas de reuso, reciclagem e redução do consumo de plástico são tímidas, mas estão cada mais ganhando novos adeptos.



Em 2015 a WWF Brasil iniciou o projeto Remolda. Parte da ação global da PreciousPlastic.com, o projeto visa coletar e reciclar toneladas de lixo plástico de diferentes regiões brasileiras, provando que a reciclagem é ainda muito lucrativa e promove a equidade social.


Vale destacar ainda o projeto Rota da Reciclagem, no qual você pode conferir num mapa atualizado o centro de coleta e reciclagem mais perto de sua casa.


Em agosto de 2020 foi criado o Projeto de Lei 4186/20 que visa banir a produção e comercialização dos artigos de plástico descartáveis, tais como sacolas, canudos e embalagens não essenciais. O projeto continua em análise.


Não posso ainda deixar de citar o projeto que desenvolvo em parceria com a empresa de artigos sustentáveis Positiva com o reuso de redes de pesca.


As redes de poliamida, que não são recicladas no Brasil, se tornam sacolas, bolsas e esponjas, encerrando parcialmente o ciclo onde terminariam como elemento de poluição e morte nos oceanos.


As redes são compradas dos pescadores locais, higienizadas, cortadas, dobradas e costuradas manualmente uma a uma. Além de gerar empregos e renda, são peças que estimulam a consciência ambiental e o respeito com a vida.


Você pode colaborar com esta causa adquirindo os produtos diretamente no site da positiva nos seguintes links AQUI e AQUI.


 

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