• Nara Guichon

Mãos criativas: os artesãos e artesãs que colaboram com o meu trabalho

Atualizado: 8 de mar.

Hoje gostaria de contar um pouco da história das pessoas que nem sempre aparecem nas redes sociais: artesãos e artesãs que colaboram nos meus fazeres artísticos ou na produção do projeto Águas Limpas, que desenvolve esponjas e sacolas feitas com descarte de rede de pesca industrial.


Ao longo de minha trajetória conheci e fiz parceria com artesãs de diferentes localidades: Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul. A distância nunca foi o problema. Se encontrava uma "mãos de fadas" pelo caminho, contratava, mesmo porque artesãos e artesãs de excelência não se encontra às dúzias.



Janete de Matos. Foto: Renata Gordo.


Com o advento da Internet, descobrir colaboradores com trabalhos de qualidade ficou mais fácil e foi assim que conheci a Janete de Matos, gaúcha que assim como eu aprendeu crochê, tricô e costura desde muito pequena com sua mãe. E ainda a sorte foi em dobro, pois não é que ela mora a apenas dois quilômetros daqui do ateliê?


Tão logo nos encontramos pessoalmente, descobrimos que temos muito em comum. Ela também tem paixão pelas manualidades, pela natureza e muita estrada na lida com os fios e com o fazer artesanal, somando a isso uma personalidade curiosa na qual o novo para ela é o normal.



Janete de Matos. Foto: Renata Gordo.

Janete trabalhou durante anos em uma indústria têxtil na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Em seu contato com a produção industrial, percebeu que a confecção massiva de produtos se repetia diariamente, sem perspectiva de ações pautadas no respeito e consumo ético.


Isso foi fazendo-a questionar sobre os valores dessa indústria, que claramente eram fundamentados somente no lucro e no crescimento a qualquer custo.


O modelo focado na quantidade e na competitividade a incomodava, tanto que ela se retirou. Após outro emprego em área diversa, decidiu partir para um ano sabático e assim acabou "aterrissando" na Praia da Solidão e por aqui ficou. Dessa forma iniciamos nossa parceria. Ela já com vontade de fazer algo novo, desde que não fosse nos moldes conhecidos, e eu precisando de gente que tricotasse como "gente grande".


Iniciamos nossos trabalhos em 2021 e desde então compartilhamos mãos e ideias em torno dos produtos criados com as redes e outros materiais.


Desde os primeiros encontros, Janete absorveu a lógica do meu trabalho com o tricô, um fazer manual sem regras, no qual o importante é a comunhão com os materiais. Uma vez compreendida a liberdade que este tipo de criação permite, temos espaço para a intuição.


Novos encontros


Agora vou contar um pouco da Rô, Rosângela Loureiro. A conheci através do SEBRAE de Santa Cataria há alguns anos. De cara meu olho identificou a supremacia em seu delicado crochê, verdadeiramente primoroso. Nessa época criei uma série de delicados colares de crochê, sendo que a produção foi feita por essa exímia crocheteira.


Com a coleção encerrada, anos se passaram. Quando precisei de profissionais qualificados para colaborar na produção das espojas e sacolas feitas com as redes de pesca, foi o momento de reiniciarmos nossa parceria. De desta vez junto também está o Sérgio Gorri, que tem um nível de precisão e exigência idêntico ao meu.



Rosângela e Sérgio. Foto: Renata Gordo.


Não sei dizer se por sorte ou merecimento, mas afirmo que nossa parceria é perfeita. Reconheço que sem essas pessoas o projeto Águas Limpas não teria chegado aonde chegou. Eles são responsáveis por parte da confecção das esponjas e esfregões feitos com as redes de pesca reutilizadas. Um trabalho realizado com cuidado, precisão e carinho, resultando em qualidade e um alto nível estético.


É importante dizer que esse trabalho é desenvolvido com flexibilidade, de acordo com a disponibilidade dos artesãos. Falamos aqui do trabalho manual feito de modo consciente e sem a lógica capitalista da massificação do consumo. O resultado são peças únicas, repletas de beleza e dos valores que acredito.


É preciso conhecer a vida desses artesãos e artesãs, valorizar o empenho e dedicação com que tecem e criam. Eles não apenas confeccionam as peças que dispomos, mas imprimem um pouco de si no trabalho e história de cada um deles se faz nas peças criadas. Orientando nosso olhar para novos modos de produção e uma nova forma de se posicionar na sociedade.



 


Você pode conhecer mais sobre a trajetória de Janete Matos através de seu perfil no Instagram: @jandmatos.


Para adquirir as esponjas feitas em redes de pesca aqui em Florianópolis, basta conferir os perfis da @stamariacasa e da @paradisomercatoecaffe. Em Porto Alegre as esponjas podem ser encontradas na loja @bananaverdepoa. Já em Imbitubam você poderá encontrar na loja @alma.eterra.


É possível comprar os produtos também na loja Casa de Ana, Na Sol da Terra Artesanato e também no Mercado Sem Lixo. Se você for lojista e quiser ter o Projeto Águas Limpas na sua loja, entre em contato no e-mail: proj.aguaslimpas@gmail.com.

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